A INJUSTIÇA DE GÊNERO E OS DESAFIOS DE UMA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


Evento Paralelo na Conferência Internacional Sobre o Status da Mulher na ONU – UNCSW65 - 2021

Organização patrocinadora:

Side by Side, Islamic Relief Worldwide, ACT Alliance, Lutheran World Federation, Religions for Peace, All Africa Conference of Churches, World Council of Churches, Christian Aid


Conferência de Abertura Proferida pela Revda. Dra. Bianca Daébs delegada da Comunhão Anglicana para a UNCSW – 65


Sou Bianca Daebs, reverenda da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, atuando na Paróquia do Bom Pastor em Salvador-Bahia, membro do coletivo MUPPS: Mulher Políticas Pública e Sociedade e Assessora para o diálogo ecumênico e inter-religioso da Coordenação Ecumênica do Serviço - CESE.


Gostaria de iniciar essa breve reflexão sobre injustiça de gênero e os desafios para uma transformação social, lembrando que na base do código moral que rege a sociedade a ocidental repousam valores patriarcais e androcêntrico que são fortemente pautados nos discursos religiosos sobre a inferioridade moral, física e intelectual das mulheres e, desse modo, servem de pressupostos para as homilias sobre a submissão feminina que reforçam as violências de gênero praticada contra mulheres e meninas em nossas comunidades de fé e na sociedade de modo mais amplo.

Destaco como Teóloga Feminista Latino Americana que Igrejas e comunidades de fé têm se esforçado, ao longo de muitos dos séculos, para transformar a submissão feminina, que é um dado cultural, reforçado pelo sistema capitalista que sacraliza a exploração do ser humano e a expropriação da terra e do território em nome do lucro, em mandamento divino. Esse processo foi gradativamente normalizado e hoje muitas pessoas acreditam que é natural e legitimo que homens sejam superiores às mulheres.

Em muitas Igrejas os discursos que violentam as mulheres e meninas ganham o agravante de serem pronunciado em meio ao sagrado e à tradição familiar que joga nas costas da mulher toda a responsabilidade por fazer sua família feliz, estruturada, espiritualizada, manter a vida sexual ativa, o casamento blindado e a educação das crianças em ordem.

Se quiser estudar e ou trabalhar fora precisa ter dom de equilibrista para equalizar tudo isso em sua única vida. Sempre que faço essa reflexão me lembro que Eva desejou sair do paraíso e encontrar a vida que havia para além dele. Isso nos diz sobre nos colocar no lugar das mulheres antes de emitir qualquer juízo de valor sobre seu comportamento.

Então, se enquanto Igreja, desejamos romper as práticas que alimentam a ideia de inferioridade, submissão e contribuem para as várias formas de violência cometida contra mulheres e meninas, precisamos nos arrependermos e darmos testemunho do nosso compromisso com o Evangelho de amor, perdão e graça; Precisamos Viver as marcas da nossa missão dando continuidade às ações que já iniciamos em muitos lugares.

Não podemos retroceder em nome de uma crise econômica ou pandêmica pois, as mulheres são as primeiras a sofrerem as consequências de uma crise social. Cortar as verbas que sustentam as missões que buscam a equidade de gênero vai na contramão do testemunho de fé que precisamos dar ao mundo.

Ressalvo que comportamentos não são modificados do dia para noite, por isso, é preciso investir em educação para a equidade de gênero, educar em espaços formais e não formais, a tempo e fora de tempo. O tema da equidade de gênero está pautado na política de ações estratégicas de nossa comunhão, mas, precisamos nos unir para fazê-la chegar aos seminários, faculdades, aos púlpitos, às escolas bíblicas dominicais, aos nossos cultos de oração e no nosso ativismo contra o Estado Violador como ação profética que denuncia o pecado e anuncia com esperança um novo tempo.

Como diz a poetiza brasileira Simei Monteiro,

Se caminhar é preciso, / caminharemos

unidas, / e nossos pés, nossos braços, /

sustentarão nossos passos. / Não mais seremos

a massa, / sem vez, sem voz, / sem história, / mas

uma Igreja que vai / em esperança solidária.

Se caminhar é preciso, / caminharemos

unidas / e nossa fé será tanta / que transporá as

montanhas. / Vamos abrindo fronteiras / onde só

havia barreiras, / pois somos povo que vai / em

esperança solidária.

Amém!


17 de março de 2020

Através da Plataforma Virtual Zoom

Disponível em: UN TV: http://webtv.un.org





GENDER INJUSTICE AND THE CHALLENGES OF SOCIAL TRANSFORMATION


Parallel Event at the International Conference on the Status of Women at the UN - UNCSW65 – 2021


Sponsoring organization:

Side by Side, Islamic Relief Worldwide, ACT Alliance, Lutheran World Federation, Religions for Peace, All Africa Conference of Churches, World Council of Churches, Christian Aid


Opening Conference Given by Revda. Dr Bianca Daébs delegate of the Anglican Communion to UNCSW - 65



I am Bianca Daebs, Reverend of the AnglicanEpiscopal Church of Brazil, actingin the Parish of the Good Sheperdin Salvador-Bahia, member of the collective MUPPS: Political, Public Women andSociety and Advisor ecumenical and interreligious dialogueof the Ecumenical Coordination of Service.

It is a pleasure to be here, in communion with other sisters of the Anglican Communion, participating in the globalconference of the United NationsCommission on the Status of Women, where we will share a little on issues of gender and faith.

Our reflection is about genderinjustice and the challenges of social transformation. I’d like to begin this short reflection about gender injustice and the challenges of social transformation by remembering that at the base of the moralcode that rules society are patriarchal and androcentric values that are heavily prominent in religious discourse about the moral,physical and intellectual inferiority of women. And, in this way, they serve as assumptions of female subordination and reinforce various kinds of gender-based violenceagainst women and girls in our communities of faith and in society as a whole.

I highlight, as a Latin American theologian, that our churchesand faith communities have worked hard for many centuries to transform female subordination that has become a cultural norm reinforced by a capitalist system that sacralizes the exploitation of people and the expropriation of land and territories in the nameof profit.

This process was normalized and today many people believe that male superiority over women is natural and legitimate. In churches, the discourse that lead to violence againstwomen and girls gain strengthfor being lecturedin a sacred space and the familial tradition that places on women’s shoulders all the responsibility for making their families happy, structuralized, spiritualized, maintain an active sexual life, keep a strong marriage, and the education of the children. If she wants to study or workshe has to have the gift of juggling and manage all of this in her life.

Every time I make this reflection, I remember Eve wanted to leave paradise and find a life beyond it and this tells us that we should place ourselves in the role of women before we judge them on their behavior.

So, if we as a Churchwish to break with the practices that feed the idea of inferiority and submission that contribute to the various forms of violence against women and girls we need to repent on the way we have acted and give testimony of our commitment with the Gospel of love, grace, forgiveness and compassion.

We need to live ourmarks of mission and give continuity to actions that have alreadybeen started in many places. We cannot go back in the name of an economic crisisor the pandemic because in thesesituations, women are the first to suffer the consequences of a social crisis. Cutting the budgets the sustain the missions that work for gender justice goes against the faith testimony we need to give theworld.

We know that behaviors don’t change overnight. That is why we need to invest in education for gender equity, educate in formal and informal places, during class time and after. The topic of gender equity is delineated in the policy of strategic actions of the Anglican Communion but we need to unite to make it reach our seminars, universities, pulpits, biblical Sunday schools, to our generation and to our activism againstthe transgressing state asprophetic action that denounces sin and announcesthe hope for a new era.

As says the Brazilian poet, Simei Monteiro, “If walking is necessary, we will walk united and our feet and our arms will hold up our steps. We will no longerbe the masses without sight,voice and history but we will be a churchthat moves in the faith of solidarity.

If walking is necessary, we will walk united and our faith will be so vast that it will transpose the mountains. Wewill open frontierswhere there were only obstaclesbecause we are a people that walksin faith of solidarity.”

March 17, 2020

Through the Virtual Zoom Platform

Available from: UN TV: http://webtv.un.org

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